O outono português é uma das estações mais ricas para quem faz mercado. Entre setembro e dezembro aparecem produtos que estiveram fora do circuito durante meses, e a sequência das colheitas dita receitas que só fazem sentido nesta altura. Este guia organiza-se mês a mês, com sugestões de uso para cada produto.
Setembro
O mês de transição. O verão deixa as últimas figueiras, os primeiros pessegos tardios e tomates ainda muito doces, ao mesmo tempo que começam a chegar os cogumelos silvestres (boletos, míscaros, cantarelas) das primeiras chuvas. É também o mês das uvas brancas e tintas, e da abóbora-menina precoce.
Sugestão: aproveite as últimas saladas com tomate e figos, e teste um arroz de cogumelos com manteiga e tomilho.
Outubro
O mês da castanha. Aparecem nas feiras a partir de meados de outubro, e mantêm-se até dezembro. Crua, custa entre 4 e 6 euros o quilo nas bancas — o preço cai ligeiramente em novembro. As castanhas guardam-se duas semanas no frigorífico em saco de papel, e congelam bem cruas (com um corte na casca).
Outras presenças deste mês: marmelo, perfeito para marmelada caseira ou para assar inteiro com mel; romã, óptima para saladas com queijo fresco; pera-rocha, no auge da temporada nacional; e os primeiros frutos secos do ano — noz, amêndoa, avelã.
Novembro
Entram em força as abóboras: menina, hokkaido, butternut. Cada variedade tem o seu uso ideal — a menina é doce e fica bem em sopas e doces; a hokkaido tem casca comestível e funciona bem assada em quartos; a butternut é versátil e dura semanas inteiras.
Aparece também a couve-portuguesa, base do caldo verde, mas excelente também em saladas com limão e azeite cru. E são as últimas semanas para cogumelos silvestres.
Dezembro
O mês dos citrinos: laranja do Algarve, tangerina, limão. Compre em quantidade — duram bem no frigorífico e a casca, ralada, é uma das maiores reservas de sabor para o resto do inverno (guarde congelada).
Outros produtos típicos: kale (couve frisada), rabanete preto, nabo, e os primeiros alhos-franceses robustos. É o início da época das sopas longas e estufados.
Mercado vs. supermercado
Em outubro e novembro, a diferença de qualidade entre o mercado municipal e a grande superfície é especialmente notória nos produtos sazonais: a castanha, a abóbora, o marmelo e os cogumelos. Nos primeiros, o preço costuma ser melhor; nos segundos, o produto está muitas vezes guardado há semanas. Compense isso indo ao mercado uma vez por semana e ao supermercado para o resto.
Pequenas reservas de outono
Vale a pena fazer algumas reservas que duram todo o inverno:
- Marmelada caseira — em outubro e novembro, com a fruta a 1,50 €/kg.
- Castanha cozida e congelada — descascada e em sacos de 200 g.
- Polpa de abóbora assada — congelada em porções de 250 g, base para sopas, risotos e bolos.
- Casca de citrino congelada — sempre à mão para sobremesas, marinadas e bebidas.
Este calendário aplica-se à maioria dos mercados de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Em regiões do interior e do norte, alguns produtos chegam uma a duas semanas mais cedo ou mais tarde, consoante a colheita e as primeiras chuvas.
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